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15.5.19

Prisioneiras - Drauzio Varella | RESENHA

Foto: Leitora Cretina

Olá, leitores! Tudo bem?

Fazia muito tempo que não aparecia por aqui, né? A minha vida está uma loucura, acaba não me dando tempo para fazer quase nada que eu realmente goste de fazer nos momentos de lazer. Tenho estágio a tarde, faculdade a noite e me sobra o período da manhã para estudar. Nos finais de semana eu estudo ainda mais e fico um tempo com a família e amigos.

Nesses momentos de lazer eu consigo ver alguns filmes, séries e ler alguns poucos livros (vou trazer esses conteúdos para vocês aos pouquinhos).

Ler um livro do Dr. Drauzio Varella nunca passou pela minha cabeça. Claro que sempre admirei o profissional que ele é, mas ler algo dele? Nunca tive o interesse. E calma, se você também nunca teve, espero mudar seu conceito agora.

Foto: Leitora Cretina


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Título: Prisioneiras 
Volume: 03 
Autor (a): Drauzio Varella 
Editora: Companhia das Letras
Número de Páginas: 280
Ano: 2017 
Gênero: Literatura Brasileira / Não ficção
Nota    
SINOPSE: O trabalho de Drauzio Varella como médico voluntário em penitenciárias começou em 1989, na extinta Casa de Detenção de São Paulo, o Carandiru. Os anos de clínica e as histórias dos presos, dos funcionários e da própria cadeia seriam retratados nos aclamados livros Estação Carandiru (1999) e Carcereiros (2014). Em 2017, Drauzio encerra sua trilogia literária sobre o sistema carcerário brasileiro com Prisioneiras. Alçando as mulheres encarceradas a protagonistas, o médico rememora os últimos onze anos de atendimento na Penitenciária Feminina da Capital, que abriga mais de duas mil detentas. São histórias de mulheres que não raro entram para o crime por conta de seus parceiros inclusive tentando levar drogas aos companheiros nas penitenciárias masculinas em dias de visita , porém que são esquecidas quando estão atrás das grades. As famílias conseguem tolerar um encarcerado, mas não uma mãe, irmã, filha ou esposa na cadeia. No ambiente carcerário feminino, há elementos comuns às penitenciárias masculinas. Assim como no Carandiru, um código de leis não escrito rege as prisioneiras; o Primeiro Comando da Capital (PCC) está presente e mostra sua força através das mulheres que integram a facção; e a relação entre aquelas que habitam as cadeias não é menos complexa. As casas de detenção femininas, no entanto, guardam suas particularidades diferenças às quais o médico paulistano dedica atenção especial em sua narrativa. Desde a dinâmica dos atendimentos e a escassez de visitas até os relacionamentos entre as presas, fica nítido que a realidade das prisões escapa ao imaginário de quem vive fora delas. Prisioneiras é um relato franco, sem julgamentos morais, que não perde o senso crítico em relação às mazelas da sociedade brasileira. Nesse encerramento de ciclo, Drauzio Varella reafirma seu talento de escritor do cotidiano, retratando sua experiência e a vida dessas mulheres com a mesma disposição, coragem e sensibilidade que empreendeu ao iniciar seu trabalho nas prisões há quase três décadas.
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ENREDO:

Drauzio Varella é um grande médico que passou parte da sua vida dedicado ao atendimento médico na Penitenciária Feminina da Capital. Nesse terceiro volume de uma trilogia, ele retrata a vida das detentas.

"Aqui ninguém dorme, doutor. Estou pagando caro pelos meus pecados, o inferno não pode ser pior."

MINHA OPINIÃO:

Você não precisa ter lido os outros dois volumes para ler esse, fique tranquilo. Mas eu fiquei tão apaixonada por "Prisioneiras" que já estou lendo "Carcereiros".

Em "Prisioneiras", pela narrativa de Drauzio, ele traz ao leitor a realidade que as mulheres vivem no presídio, e não só pelo lado "médico", ele fala de questões sociais também. O autor traz histórias reais. Em determinados momentos do livro ele abre espaço para contar histórias do começo ao fim de algumas mulheres que ele atendeu, contando como foram suas infâncias, relações familiares, como foram parar no presídio, etc. Na minha opinião, esses momentos de maior profundidade das histórias individuais delas eram as mais interessantes. 

"Tudo que acontece no pavilhão é comigo. Sou eu pra cá, eu pra lá, eu pra acolá o tempo inteiro. Ainda enlouqueço nesse inferno. Cadeia foi feita pra homem, doutor, mulher não tem procedimento. Aqui elas brigam até por um lugar no varal pra pendurar a calcinha."

A cada capítulo o autor nos traz questionamentos muito profundos acerca da influência do meio em que vivemos, como cada episódio em nossas vidas pode ter um reflexo lá na frente. Além do leitor ter a oportunidade de chegar "um pouco mais perto" dos presídios, da situação que essas mulheres vivem, vemos como é forma de sobrevivência, como as mulheres fazem para ganhar a vida ali, como são as relações íntimas entre as detentas, suas formas de organização. Também é possível conhecer um pouco sobre o PCC e qual é a influência da mulher.

Foto: Leitora Cretina


Em alguns momentos, Drauzio faz comparações entre homens e mulheres presas (como é um presídio masculino e um feminino, o que acontece quando um homem e quando uma mulher são presos, etc).

"Enquanto estiver preso, o homem contará com a visita de uma mulher, seja a mãe, esposa, namorada, prima ou a vizinha, esteja ele num presídio de São Paulo ou a centenas de quilômetros. A mulher é esquecida."

Em momento nenhum fiquei entediada lendo esse livro, as histórias sempre me surpreendiam e me deixavam mais e mais curiosa. Também sempre vemos resquícios da opinião do autor. É um livro com uma linguagem franca, compreensível, que para alguns, as histórias podem ser chocantes. A escrita do Drauzio me prendeu do início ao fim.

Adorei conhecer um pouco de como o trabalho do médico pode ser inserido em tal contexto, e quais são suas influências na vida dessas mulheres. É um livro que enriquece um ser humano.

"No universo prisional, (...) podem viver sua sexualidade da forma que lhes aprouver, sem enfrentar repressão social. Paradoxalmente, talvez a cadeia seja o único ambiente em que a mulher conta com essa liberdade."

SOBRE A EDIÇÃO:

Li o livro em e-book, então não posso opinar sobre a diagramação, folhas, etc. Mas a capa é muito bonita, retratando bem a história, chamativa.

Beijão!

2 comentários:

  1. Ei, Mô! Fico imensamente feliz de você ter conseguido um tempinho para postar aqui no LC <3
    Sobre o livro: Nunca pensei em ler algo dele também, e nem sabia que ele, além de médico, era escritor. Fiquei muito interessada na obra após a leitura da resenha, acho muito bacana livros assim, e estou querendo dar uma variada nas histórias que ando lendo. Adorei!

    Beijos ♡
    Cantinho da Escrita

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    Respostas
    1. Olá, Lí!
      Ai, eu também fico muito feliz! <3.
      Eu adorei conhecer ele como um autor! Me interessei ainda mais pelo assunto!

      Beijão

      Excluir

Olá! Deixe seu comentário. Eu vou adorar ler e respondê-lo. <3

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